Senado antiambiental: o que está em jogo para a Amazônia além do segundo turno
A composição do Congresso eleito em outubro representa uma ameaça concreta a territórios indígenas e à política climática brasileira

Enquanto o país concentra atenção no segundo turno municipal, uma realidade silenciosa já foi selada pelas urnas de outubro: o Senado Federal ganhou uma bancada de perfil marcadamente contrário às pautas socioambientais. Não é alarmismo — é leitura de votações registradas. Parlamentares eleitos com apoio do agronegócio predatório e de setores extrativistas têm histórico documentado de votos favoráveis ao Marco Temporal, à flexibilização do licenciamento ambiental e ao enfraquecimento da Funai. Para a Amazônia e para os povos originários, isso importa mais do que qualquer discurso de campanha.
O Brasil abriga cerca de 60% da Amazônia Legal, o maior repositório contínuo de biodiversidade tropical do planeta. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia caiu 50% no primeiro semestre de 2024 em relação ao mesmo período de 2023 — uma conquista real, construída com fiscalização, presença do Estado e escuta aos povos da floresta. Mas essa curva pode se inverter rapidamente se o arcabouço legal de proteção for desmontado por dentro do Legislativo. Instrumentos como a demarcação de terras indígenas e o licenciamento ambiental não são burocracia: são a última linha de defesa de ecossistemas que regulam o regime de chuvas de metade da América do Sul.
O que os cientistas chamam de
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