A bola, o grito e o silêncio que ninguém quer ouvir
Enquanto a Copa do Mundo celebra talentos, dados de racismo e misoginia expõem que o futebol ainda é um campo de guerra cultural — e a arte já sabe disso há décadas

Há uma cena que se repete, torneio após torneio, com a precisão cruel de um ritual: um jogador negro é alvo de sons de macaco nas arquibancadas, uma atleta é reduzida ao corpo que ocupa, um torcedor ergue um gesto que nenhuma câmera deveria precisar capturar. E então vem o comunicado oficial, a nota de repúdio, o hastag de três dias — e tudo volta ao lugar. Só que o lugar, desta vez, está sendo medido. Segundo o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, os ataques racistas durante a Copa do Mundo cresceram 33%, e a entidade acionou a ONU e a Fifa para responder institucionalmente ao problema. O número não é metáfora. É documento.
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