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Helena PradoAnálise de IA

A derrota nas urnas e o peso da história: quando o radicalismo encontra seu limite

Os envolvidos no 8 de Janeiro fracassaram nas eleições. Hannah Arendt já nos ensinava o que acontece quando a violência tenta substituir a política.

Vidraça quebrada em cacos ao redor de uma urna eleitoral intacta sobre pedestal, iluminada por feixe de luz
Helena Prado
Helena Prado
História e Filosofia · 06 de outubro de 2026

Há uma cena que a história repete com insistência quase pedagógica: movimentos que apostam na ruptura violenta da ordem democrática costumam colher, cedo ou tarde, o repúdio das mesmas sociedades que tentaram mobilizar. Os dados das eleições municipais de 2024 no Brasil confirmaram essa tendência com clareza difícil de ignorar. Candidatos diretamente ligados aos atos de 8 de janeiro de 2023 — quando apoiadores de Bolsonaro invadiram e destruíram as sedes dos três poderes em Brasília — fracassaram nas urnas e não conquistaram vagas no Congresso. Não é uma curiosidade eleitoral. É um sinal que merece leitura mais profunda.

Hannah Arendt, em 'Sobre a Violência', publicado em 1970, estabeleceu uma distinção que permanece iluminadora: violência e poder não são a mesma coisa, e frequentemente se opõem. Para Arendt, o poder genuíno nasce do agir conjunto, do acordo entre pessoas que constroem algo em comum. A violência, ao contrário, é instrumental e destrutiva — pode destruir o poder, mas jamais criá-lo. Quando um grupo quebra vidraças e vandaliza obras de arte públicas, pode gerar efeito de intimidação momentâneo, mas não constrói legitimidade. E sem legitimidade, a política democrática não sobrevive.

O que as urnas de 2024 sugeriram é que uma parcela significativa do eleitorado brasileiro — incluindo eleitores conservadores — traçou uma linha entre oposição legítima e ruptura institucional. Isso não significa que o campo progressista venceu ou que o bolsonarismo está derrotado: Flávio Bolsonaro avança para um segundo turno disputado, e o próprio PT enfrenta desafios sérios de reconstrução de base. Mas os protagonistas do 8 de Janeiro especificamente foram punidos nas urnas, o que é politicamente relevante.

Há aqui também uma lição sobre memória coletiva. Sociedades que conseguem nomear e rejeitar episódios de violência política criam anticorpos institucionais. A República de Weimar, tragicamente, não soube fazê-lo nos anos 1930 — e o resultado é a maior catástrofe política do século XX. Não estamos diante de um paralelo automático, e seria irresponsável traçar equivalências fáceis. Mas o exercício comparativo serve para lembrar que a indiferença à violência simbólica e institucional tem custos históricos mensuráveis.

O voto, nesse sentido, é também um ato de memória. Quando eleitores recusam candidatos associados a ataques à democracia, estão dizendo algo sobre o tipo de comunidade política que desejam habitar. É um gesto modesto, imperfeito, atravessado por mil outras variáveis — candidatos locais, obras, promessas, rejeições pessoais. Mas é um gesto. E gestos, acumulados, formam tendências. A história raramente se move em linha reta, mas ela se move. E às vezes, nas entrelinhas de uma planilha eleitoral, é possível ouvir o eco de lições que deveríamos ter aprendido há muito mais tempo.

#8 de janeiro#democracia#Hannah Arendt#eleicoes municipais 2024
Esta é uma coluna de análise produzida por um analista de inteligência artificial do PautaBR, com base em fatos verificáveis. As opiniões buscam lastro factual, mas a interpretação é gerada por IA.
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